Quando foi anunciado nos EUA o lançamento do Motorola Droid (conhecido aqui no Brasil como Milestone), o primeiro smartphone com o Google Android 2.0, este chegou a ser chamado de “iPhone Killer”. Título meio exagerado? Bom, não sei. Se ele é realmente melhor que o iPhone, não sou eu que vou dizer. Pelo menos não agora, pois não tenho um iPhone para fazer a comparação.
Comprei o Milestone há uns dois meses porque me deu vontade de começar a brincar um pouco com a SDK do Android. Quer dizer, na verdade mesmo, eu queria começar a mexer com qualquer SDK de smartphone. Podia ser a do iPhone mesmo. Resolvi correr para o Android por apenas um motivo: não troco meu Linux por nada. Se eu resolvesse me aventurar com o celular do Steve Jobs teria que comprar um Mac, sendo que eu tinha acabado de adquirir um laptop novo e ele tava redondinho rodando o Fedora 12. Então imagina a fadiga? Sem condição. Portanto, tchau (até breve) iPhone. Olá, Android! =)
E dizer que eu to bem satisfeito.
O Aparelho
Visualmente ele é meio quadradão. Retrô talvez. Ao meu ver, bastante bonito. A tela é bem grande, 3.7″ (a do iPhone 3GS é de 3.5″), o que faz com que seja bem tranquilo utilizar o teclado virtual, que funciona tanto com o celular na vertical quanto na horizontal. Além disso ele ainda possui um teclado QWERTY físico. Essencial para escrever textos longos.

A câmera é de 5 megapixels e possui flash. Porém, sinceramente, eu não achei grande coisa. Na verdade eu ainda não conheço nenhum celular que tenha uma câmera realmente decente. As fotos do 2º Sprint da PythonCampus foram tiradas com ela.
Um acessório muito interessante do Motorola Milestone é o Dock. É um suporte onde você encaixa o aparelho e este passa a servir como um relógio de mesa que além de exibir a hora e a data, mostra também o clima. Nesse modo ainda é possível deixar passando as fotos da galeria.

Sempre ouvi falar que a bateria dos smartphones acabavam muito rápido. Bom, a do Milestone não é muito diferente disso. Com o 3G e a sincronização automática ligados, a bateria dura apenas 7 horas. Porém, não há necessidade de deixar o 3G ligado o tempo todo, ainda mais se você não possuir um plano de dados ilimitado. Pensando nisso, fiz alguns testes:
1) Com o 3G e o Wi-fi desligados, a bateria durou mais de 170 horas, ou seja, uma semana com o celular ligado direto.
2) Utilizando internet somente antes de dormir para acessos rápidos, como ler e-mails e twitter, a bateria durou um pouco mais de 70 horas, o que equivale a quase 3 dias.
Isso mostra que a duração da bateria está inversamente ligada a utilização da internet (seja wi-fi ou 3G), ou seja, se você quer que a bateria dure bastante tempo, então basta não deixar a internet ligada a toa. Ligue apenas quando for utilizá-la. Eu uso o acesso 3G várias vezes ao dia e a minha bateria costuma durar mais 48 horas.
Android 2.0
Assim que o aparelho é ligado, você tem que logar com a sua conta do Google. E isso é uma das melhores coisas do Android: integração nativa com os serviços do Google. Gmail, Gtalk, Google Calendar, Google Contacts, Google Maps e etc. Tudo já está lá, pronto para usar.

A home do Android funciona como uma área de trabalho, onde você coloca atalhos para os aplicativos mais utilizados. São três telas de área de trabalho. Um detalhe interessante é que você pode adicionar um papel de parede que se estenda pelas três telas, causando um efeito bacana quando passa de uma tela para a outra.

Ao contrário do iPhone (até o 3GS), o Android suporta multi-tarefas. Isso quer dizer que enquanto você espera uma página carregar no browser, você pode ler os seus e-mails na aplicação do Gmail, por exemplo. Extremamente útil.
Obs: Enquanto eu escrevia esse post, a Motorola liberou a atualização do Milestone do Android 2.0 para o Android 2.1. Portanto não faz sentido continuar sobre o 2.0. Vou fazer a atualização e em breve posto aqui as minhas observações.
Desenvolvendo para Android?
Beleza. Aparelho bom, sistema operacional melhor ainda, mas eu comprei esse celular porque queria desenvolver aplicações para Android. E exatamente nesse assunto que eu tive uma grande decepção: brasileiros não podem disponibilizar suas aplicações para venda. Como assim? Eu explico.
Dando uma olhada no Android Market Place achei estranho só encontrar aplicações grátis e resolvi pesquisar sobre isso. Descobri que a única forma de pagamento no Android Market é o Google Checkout, que nada mais é do que o PayPal da Google. Só que o problema é que este serviço não está disponível no Brasil, ou seja, brasileiros não podem pagar por aplicações do Android. Por isso só aparecem as gratuitas no Android Market do Brasil.
Se fosse só isso, não seria lá um grande problema, porque a venda de aplicações não é a única forma de ganhar dinheiro nessa área. Existem vários casos de pessoas que obtiveram lucros altos apenas com aplicações gratuitas, através da venda de espaços publicitários. O problema é que os brasileiros não podem disponibilizar no Android Market aplicativo nenhum! Nem pago nem gratuito! Porque para isso é necessário comprar uma licença com a Google, da mesma forma como acontece com a Apple e a App Store. E qual a única forma de pagar por essa licença? Google Checkout, que como já foi dito, não está disponível no Brasil.
Não preciso dizer que isso foi um espetacular banho de água fria no meu projeto de desenvolver para Android. Porém, espera-se que este serviço esteja disponível no Brasil em breve. Isso é de total interesse da Motorola (e de todas as outras empresasa que fabricam celulares com Android), porque apareceriam mais desenvolvedores e consequentemente mais aplicações. O que tornaria o seu produto ainda melhor.
– UPDATE –
Preço
Em um dos comentários, meu amigo Pedro Menezes me perguntou quanto eu paguei pelo aparelho. Como essa informação é bastante relevante, resolvi atualizar o post ao invés de apenas respondê-lo.
O preço original do Milestone na Vivo é R$1699. Porém, se você tiver o plano Vivo Você 200 e um pacote de dados de no mínimo 500mb, o celular sai por R$599. Sendo que o Vivo Você 200 custa R$144 e o plano de dados R$55. Agora façamos algumas contas:
Digamos que você fosse parcelar o valor do celular em 12 vezes sem juros (a Vivo não oferece esse parcelamento. Estou usando esse exemplo só para ilustrar). Daria R$141,60 por mês. Digamos ainda que você tenha o plano Vivo Escolha 90 (o meu plano anterior), que custa R$74 por mês. No total você gastaria R$215,60 mensais.
Mas e se você migrasse o plano? O celular saíria por R$49,92 pro 12 meses. Somando com R$144 do Vivo Você 200 e com R$55 do plano de dados, o valor total mensal seria de R$249, ou seja, apenas R$34 mais caro. Sendo que você ainda passaria a ter 200 minutos em ligações (ao invés de 90) e 500mb de dados (ao invés de nada). Vale a pena, certo? Pois é. Foi isso que eu fiz.
Resumindo:
O celular é ótimo. Atendeu todas as minhas espectativas em relação ao aparelho e ao Sistema Operacional. A única decepção foi mesmo o fato de não poder disponibilizar minhas aplicações no Android Market Place. Porém, não é por isso que eu vou deixar de estudar o SDK. Na verdade já comecei a fazer isso. Resta torcer para que o Google Checkout não demore a chegar ao Brasil.
E eu acabei não falando das aplicações disponíveis, mas foi de propósito. Pretendo ir postando aqui dicas sobre as aplicações mais interessantes. Portanto, se te intessa, siga-me =)
Agora vou lá atualizar meu celular para o Android 2.1!
Até a próxima.